Existem pessoas que quando vem um grupo de excursão são capazes de superar Usain Bolt! E você?

Existem muitas pessoas que abominam uniformes, pessoas que de forma alguma compram o carro cinza, que valorizam alfaiataria e que quando vem um grupo de excursão são capazes de superar Usain Bolt. Pessoas que vão a NY e não voltam com uma sacola sequer, que esbarram no cantor da moda no provador da loja e não fazem a mínima ideia de quem seja. Essa fatia, ou melhor, esse montante é significativo e exigente, e, não se habitua à produção industrial e nem se subordina à coletividade, sabe o que quer e quando quer, “they got satisfaction dear Jagger”.

Procurar um novo lar* é uma tarefa árdua, quase satânica. Corretores mil te levando a 557 apartamentos que não tem absolutamente nada a ver com você ou sua família, suas necessidades, sua “satisfaction.” Anos 80 a família margarina reinava na TV, o lar perfeito com dois filhos e um cachorro numa manhã ensolarada com uma farta mesa de café da manhã… adeus anos 80, descanse em paz, agora é geração XYZW, café da manhã é coisa do passado numa era de Low Carb e jejum intermitente. Os imóveis atuais estão obsoletos.

Lar* traduz melhor a intenção quando penso em moradia, pode ser casa, apartamento, apertamento ou uma casinha de sapê. Lar tem sentimento, não cimento.

Promover o lar ideal é uma tendência que começou a despontar no mercado habitacional brasileiro, mesmo na conservadora Belo Horizonte. Grandes nomes tem promovido empreendimentos fantásticos em conformidade as reais necessidades do cliente. Apartamentos que realmente se adequam aos seus moradores, espaços otimizados e customizados numa era onde tempo é dinheiro e empregada doméstica se chama Brastemp. Essa tendência arquitetônica de espaços racionais tem seu berço no oriente, onde metro quadrado é luxo e a superpopulação demanda equacionamento. Nesta corrente, construtoras, arquitetos e designers tem se deliciado ao explorar os limites da criação para propiciar os reais e desejados lares.

Hoje estão voltando os apartamentos sem área de serviço, as áreas de lazer desérticas e onerosas estão sendo suprimidas e já despontam teorias como a de Anna Puigjaner, que extinguem a cozinha do interior dos apartamentos. Ousado? Pode ser! Tendência? Pode ser! A questão é que não há limites quando se entende (e atende) uma nova forma de utilização espacial e convivência. Anna aponta que as pessoas não utilizam a cozinha como nos velhos tempos, e, uma cozinha compartilhada seria extremamente conveniente. Soa estranho pensar isso nessa nossa gordinha e tradicional Minas Gerais dos fogões a lenha e fartas quitandas, mas, há fundamento.

Rodeios mil este texto é um clamor a como tem sido sofrível ver as pessoas tentando se adaptar a imóveis que não foram feitos para a realidade delas. Desafios arquitetônicos que colocam o traçado dos espaços internos em magistrais estratégias em se obter a desejada funcionalidade, estética… enfim, Satisfaction!!!